"PROFESSOR, E SE EU ESCOLHER A PROFISSÃO ERRADA?"
É muito comum o aluno fazer a escolha profissional de qualquer jeito, acredite.
Às vezes ela aparece exatamente dessa forma. Outras vezes vem escondida em frases como:
"Eu gosto de várias coisas."
"Não faço ideia do que quero fazer."
"Tenho medo de me arrepender."
"Meus pais querem uma coisa, mas eu penso em outra."
Se você é estudante, talvez já tenha pensado em algo parecido.
Se você é pai ou mãe, provavelmente já percebeu essa insegurança no seu filho.
E sabe de uma coisa? Isso é muito mais comum do que parece.
Pesquisas mostram que uma grande parcela dos estudantes do Ensino Médio chega aos últimos anos da escola sem saber qual profissão deseja seguir. E, sinceramente, isso não deveria nos surpreender.
Imagine pedir para alguém de 16 ou 17 anos decidir o rumo de sua vida profissional sem antes conhecer profundamente suas habilidades, seus interesses e as centenas de profissões que existem atualmente.
É uma responsabilidade enorme.
O mundo mudou. As profissões também.
Muitos pais cresceram conhecendo algumas profissões mais tradicionais: médico, advogado, engenheiro, professor, contador.
Hoje a realidade é completamente diferente.
Existem profissões que nem sequer existiam há dez anos. Outras mudaram radicalmente. Algumas desapareceram. E novas oportunidades surgem todos os dias.
Nesse cenário, não é difícil entender por que tantos jovens se sentem perdidos.
Eles olham para o futuro e enxergam um enorme mapa sem saber qual caminho seguir.
O problema é que muitas vezes tentam escolher sem informação suficiente.
Alguns escolhem porque um amigo escolheu.
Outros porque ouviram que determinada área "dá dinheiro".
Há também aqueles que tomam decisões baseadas em vídeos de poucos segundos nas redes sociais.
Mas profissão não é apenas salário.
Não é apenas status.
Não é apenas o que está na moda.
Profissão é algo que fará parte da vida da pessoa durante décadas.
O que os jovens realmente precisam?
Muita gente acredita que orientação vocacional serve para dizer ao aluno qual profissão escolher.
Na verdade, funciona exatamente ao contrário.
O objetivo não é entregar uma resposta pronta.
O objetivo é ajudar o jovem a encontrar suas próprias respostas.
Quando um estudante passa por um processo sério de orientação vocacional, ele começa a olhar para dentro de si.
Descobre seus pontos fortes.
Reconhece seus interesses.
Entende melhor seus valores.
Percebe o que o motiva.
E, principalmente, aprende a relacionar tudo isso com as possibilidades profissionais existentes.
A escolha deixa de ser um chute.
Passa a ser uma construção.
Nada substitui uma conversa com quem vive a profissão
Existe uma atividade que sempre gera resultados impressionantes: entrevistar profissionais.
Quando um aluno conversa com um advogado, um fisioterapeuta, um engenheiro, um médico, um psicólogo ou qualquer outro profissional, algo muda.
A profissão deixa de ser uma ideia distante.
Ela ganha rosto, história e realidade.
O estudante descobre coisas que dificilmente aparecem nos sites das faculdades.
Descobre os desafios.
As dificuldades.
As conquistas.
A rotina verdadeira.
Muitas vezes ele percebe que uma profissão que parecia perfeita não combina com seu perfil.
Outras vezes acontece o contrário: ele encontra uma área que nunca havia considerado e se identifica imediatamente.
É por isso que incentivar o contato com profissionais é tão importante.
Quanto mais experiências reais o jovem tiver, melhores serão suas decisões.
E qual é o papel dos pais?
Muitos pais carregam uma preocupação legítima.
Querem que seus filhos sejam felizes.
Querem que tenham estabilidade.
Querem protegê-los de erros.
Mas existe uma diferença importante entre orientar e decidir.
Os jovens precisam de apoio, não de pressão.
Precisam de diálogo, não de imposições.
Quando a família participa do processo ouvindo, incentivando e ajudando na busca por informações, a escolha profissional se torna muito mais saudável.
Afinal, ninguém conhece melhor um filho do que seus pais.
Mas ninguém viverá aquela profissão por ele.
Não existe escolha perfeita
Talvez essa seja a mensagem mais importante.
Muitos adolescentes acreditam que precisam encontrar a profissão perfeita.
Aquela decisão mágica que resolverá todo o futuro.
Mas a realidade não funciona assim.
A escolha profissional não é um ponto final.
É um ponto de partida.
Ao longo da vida, as pessoas aprendem, evoluem, mudam de interesses e até de carreira.
O mais importante não é acertar tudo imediatamente.
O mais importante é fazer escolhas conscientes, baseadas em autoconhecimento e informação.
Conhecer para escolher melhor
Sempre digo aos meus alunos que ninguém precisa ter todas as respostas hoje.
Mas todos podem começar a fazer as perguntas certas.
Quem sou eu?
Do que gosto?
Quais são meus talentos?
Que tipo de vida desejo construir?
Quais profissões se conectam com esse projeto?
Quando o estudante inicia essa jornada de descoberta, o futuro deixa de ser motivo de medo e passa a ser motivo de construção.
E é exatamente por isso que a orientação vocacional existe.
Não para escolher por alguém.
Mas para ajudar cada jovem a encontrar seu próprio caminho.
Esteja comigo também no meu Instagram, lá tem vídeos para ajudar da reflexão. Bora lá?
Luciano Muchiotti
Especialista em Orientação Vocacional e Desenvolvimento de Carreira
