ORIENTAÇÃO VOCACIONAL DE UM JEITO TRANQUILO

A ESCOLHA DO FUTURO PROFISSIONAL PODE TRAZER SOFRIMENTOS PARA  ALUNO DO ENSINO MÉDIO

VOCACIONAL

Senta aqui comigo e pensa nessa cena:

“E aí, já sabe o que vai fazer da vida?”

Muita gente escuta essa frase como se fosse uma pergunta simples. Mas, por dentro, dá um aperto no peito, um nó no estômago e, às vezes, até vontade de sair do assunto na hora.

Escolher uma profissão, hoje, não é só “decidir um curso”. É mexer com identidade, dinheiro, expectativa da família, medo de errar e um mundo do trabalho que muda o tempo todo. Não é pouca coisa.

Neste texto, quero conversar com você justamente sobre isso: o sofrimento escondido atrás da escolha profissional – tanto de quem ainda vai escolher quanto de quem já escolheu e não se reconhece mais no que faz.

Por que escolher profissão dói tanto?

A escolha profissional virou, para muita gente, um combo de pressão:

pressão da família: “faz algo que dê dinheiro”, “essa área é mais segura”;

pressão social: “essa profissão tem status”, “isso combina com sucesso?”;

pressão da escola: provas, ENEM, vestibular, comparação com colegas;

pressão do mercado: notícias de desemprego, carreira “do futuro”, medo de ficar para trás.

No meio disso tudo está uma pessoa, tentando responder a perguntas gigantes:

“Quem eu sou?”

“O que faz sentido para mim?”

“E se eu me arrepender?”

Não é raro aparecerem sintomas físicos: falta de sono, ansiedade antes de prova, crises de choro, irritação, sensação de estar “travado”. O corpo fala quando a mente está sobrecarregada.

As três forças que puxam em direções diferentes

Na escolha profissional, pelo menos três forças puxam você ao mesmo tempo:

Quem você é (seus valores, interesses, jeito de ser);

Onde você se sente pertencendo (ambiente, grupo, estilo de vida);

Como você vai se sustentar (dinheiro, estabilidade, contas pagas).

Quando essas forças não conversam, nasce o conflito.

 

Exemplos:

Você se vê em algo criativo, mas sua família empurra para uma carreira tradicional “porque é mais segura”.

Você escolhe uma profissão pelo status, mas no dia a dia sente que está vivendo a vida de outra pessoa.

Você entra em uma área “que dá dinheiro”, mas sente que se esgota a cada dia.

Ao invés de clareza, vem um sentimento silencioso de inadequação:

 

“Eu deveria estar feliz, mas não estou. O que tem de errado comigo?”

Nada. O problema não é você; muitas vezes é o encaixe entre você e a escolha (ou a forma como essa escolha foi feita).

O sofrimento de quem “já escolheu”

Nem sempre o sofrimento está só em quem ainda não decidiu.

Tem muita gente que:

já formou,

já está no mercado,

tem um salário razoável,

mas vive acordando com a sensação de peso: “É isso até eu me aposentar?”

Relatos comuns:

cansaço constante, mesmo depois do fim de semana;

contando os dias para o feriado;

falta de sentido: “ok, eu pago minhas contas, mas… e eu?”

Em vários casos, não é só o trabalho em si que cansa, mas a distância entre:

o que a pessoa valoriza, o que aquele ambiente exige (jeito de tratar pessoas, ritmo, ética, metas, cultura).

Muita gente permaneceu numa profissão porque, lá atrás, escolheu baseada em pressão, medo ou ilusão. E agora carrega a culpa de “não poder mais mudar”.

Não é só uma escolha de curso. É um projeto de vida.

Quando reduzimos a escolha profissional a “qual curso fazer”, a chance de sofrimento aumenta. Porque:

curso é meio;

profissão é caminho;

projeto de vida é o todo.

Uma escolha mais saudável olha para perguntas como:

Que tipo de rotina eu aguento e quero ter?

Eu me vejo mais lidando com pessoas, números, processos, criação?

Que problemas do mundo eu tenho vontade real de ajudar a resolver?

Que nível de risco financeiro faz sentido para mim e para a minha família?

Quando você começa a responder isso com sinceridade, a escolha deixa de ser só “qual profissão está em alta” para virar: “qual caminho faz sentido para a pessoa que eu sou – e para a vida que eu quero construir”.

Como diminuir o sofrimento nessa escolha (ou reescolha)

Vou trazer alguns passos práticos, seja você um jovem escolhendo pela primeira vez ou um adulto repensando sua carreira.

a) Pare de buscar “a profissão perfeita”

Ela não existe. Toda profissão tem:

partes chatas,

ajustes de rota,

momentos de dúvida.

Busque, em vez disso, uma profissão:

coerente com seus valores;

em que você enxerga possibilidade de crescimento;

na qual você possa desenvolver competências que servem para mais de um caminho.


b) Olhe de verdade para você (não só para o mercado)

Algumas perguntas poderosas:

Em que momentos do meu dia eu esqueço do tempo?

Que tipos de tarefas me drenam, mesmo que eu faça bem?

Em que ambientes eu me sinto mais vivo(a): agitação, bastidores, atendimento, análise, criação?

Que tipo de impacto eu quero deixar nas pessoas?

Autoconhecimento não é luxo; é ferramenta básica de decisão.

 

c) Traga a realidade para a conversa

Por mais desconfortável que seja, é importante falar de:

quanto ganha em média em cada área,

quanto tempo leva para se estabilizar,

como está o mercado para iniciante,

que outras formas de atuação aquela formação permite (docência, consultoria, negócios próprios, etc.).

Quanto menos ilusão, menos frustração no futuro.

d) Entenda que recomeçar é difícil, mas é possível

Uma grande fonte de sofrimento é achar que:

“Se eu mudar agora, joguei tudo fora.”

Você não joga fora:

maturidade,

habilidades construídas,

rede de contatos,

disciplina,

visão de mundo.

Tudo isso pode ser levado para outras áreas. Recomeçar não é apagar a história, é ressignificar a história.

O papel da família, da escola e de quem acompanha processos

Se você é pai, mãe, educador ou líder, um cuidado importante:

Em vez de perguntar só “o que você vai fazer?”,

experimente perguntar “como você quer viver?” e “que tipo de gente você quer ser através do seu trabalho?”.

E, se você é quem está sofrendo com tudo isso, talvez precise ouvir com carinho:

você não precisa dar conta sozinho(a);

pedir ajuda é um ato de responsabilidade;

conversar com alguém de fora (orientador, terapeuta, mentor) ajuda a organizar o turbilhão interno.

Um convite

Se, enquanto lia esse texto, você se reconheceu em alguma parte –

o aperto no peito ao falar de profissão, o medo de ter errado, a dúvida se ainda dá tempo de mudar – saiba que isso não é fraqueza. É um chamado.

Um chamado para:

se conhecer melhor,

olhar com honestidade para a sua história,

construir um caminho profissional que respeite quem você é e a vida que quer levar.

Esse é exatamente o tipo de jornada que eu ajudo pessoas a fazerem no www.vivacoach.com.br, transformar sofrimento em clareza, culpa em responsabilidade e medo em plano.

Visite também o www.acertx.com.br

Se fizer sentido para você, o próximo passo pode ser simples:

anotar suas principais angústias sobre trabalho e carreira e buscar um espaço seguro para falar sobre elas – sem julgamento, sem rótulo, sem “deveria”.

Escolher (ou reescolher) a profissão dói, sim.

Mas não precisa ser um processo solitário nem uma sentença para o resto da vida.